Para que serve a
arquitectura?
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Para que serve a arquitectura?

Para que serve a Arquitectura? A pergunta é simples mas a resposta pode não ser, ou deve não ser, óbvia. Para além de uma visão romântica que sugere o "abrigo" como origem poética da construção, matriz da "casa" e do habitar, o arquitecto confronta-se hoje com angústias menos poéticas e mais prosaicas. Entre a denúncia de que a arquitectura é demasiado lenta face às lógicas do capitalismo imaterial e a reivindicação de um tempo de resistência que permita ao projecto qualificar práticas quase incontroláveis, os arquitectos procuram desesperadamente, sem a demagogia que caracterizou o Movimento Moderno, encontrar soluções profissionais e conceptuais para agir e desempenhar um papel activo na sociedade.
Em Portugal, a recente explosão de escolas, estudantes e arquitectos, acompanhou a explosão do construído e um crescimento urbano objectivamente desfasado com o crescimento populacional, gerando uma instabilidade visível no território e na paisagem.
Este seminário de dois dias, organizado pela Dafne Editora e pelo Departamento de Arquitectura da Universidade do Minho, procura pôr em debate vários âmbitos do exercício da profissão e valências da disciplina, nomeadamente as tendências para a entender como prática artística, de produção cultural, de agente especulativo ou económico, como instrumento de representação, de denúncia ou crítica, como prática arbitrária ou consequente, como espectáculo ou simulacro, sem esquecer a componente mais enraizada da profissão como serviço profissional de estudos e projectos de construção e urbanismo.
Com esse objectivo, as sessões estão organizadas a diferentes ritmos e integrando arquitectos com diferentes formações académicas e percursos profissionais diversificados, seja na prática de atelier ou na teoria, no ensino ou na crítica, no jornalismo ou nas artes. Estão previstos três módulos, cada um com uma apresentação de obra/projectos, uma comunicação de fundo de carácter teórico e um debate numa mesa redonda composta por arquitectos de várias práticas.
Face aos estímulos e ambições próprias dos arquitectos poderá ser possível entender aspectos que condicionam o exercício da profissão e talvez seja possível, ou se revele pertinente, desafiar a definição clássica da arquitectura como arte da construção, limite onde talvez já tenha dificuldade em dar resposta às solicitações a que hoje é sujeita. E para uma tal ambição, a pergunta repete-se única e com singeleza: para que serve a arquitectura?